- 0
Evandro Carlos Jardim
Editora: Edições Sesc
Colaboradores: Fabiana de Barros, Fabiana de Barros, Michel Favre, Michel Favre, Marcia Zoladz, Marcia Zoladz, Danilo Santos de Miranda, ARACY AMARAL, Fabiana de Barros, Michel Favre, Evandro Carlos Jardim
Avaliação:
R$ 70,00 á vista
Em até 4 de 17.50 s/juros
Quantidade:
Código: 9788594931955
Categoria: Entretenimento
Descrição Saiba mais informações
Este livro realiza algo de inestimável importância para a per-
cepção e fruição da obra de um dos protagonistas da história da
gravura no Brasil. Seus autores alcançam aquele olhar por cima
do ombro do artista empenhado na criação do trabalho. Evandro
Carlos Jardim é flagrado quase no momento mesmo em que as
ideias assomam e o levam da intenção ao gesto que vai fixar as
imagens e a poética que caracterizam sua obra, tão extensa quan-
to plena de reflexões sobre tempo e memória. Momento íntimo, a
que o grande público não costuma ter acesso, e do qual só co-
nhece os resultados nas exposições.
Para revelar esses bastidores, foi adotado o formato da extensa
e minuciosa entrevista no ateliê. Como nunca é demais frisar, a pa-
lavra do artista é testemunho precioso. É fonte primária que vai se-
mear caminhos mais sólidos para abordagens teóricas posteriores,
dispensando os adjetivos e suposições de gabinete, infelizmente
tão recorrentes ainda na historiografia da arte brasileira.
Provocado por perguntas precisas, feitas por Fabiana de Barros
e Michel Favre, Evandro vai detalhando de modo fascinante e aces-
sível (afinal, é também um excelente professor) a genética de suas
imagens. Ele narra as ações que constroem seu processo de traba-
lho, escolhas de materiais e instrumentos, técnicas e invenções. A
ambiência do ateliê, com multidão de objetos de trabalho em per-
feito ordenamento na bancada, na prancheta e nas paredes, é es-
quadrinhada com sensibilidade nas fotos realizadas por João Musa
e Favre. Essa documentação visual contribui, também, para pene-
trarmos na natureza do que é feito ali e da qual se ocupa, com sua
agudeza habitual, o texto crítico de Aracy Amaral. A historiadora de
arte, com a autoridade de ter acompanhado os quarenta anos de
trajetória de Evandro, chama a atenção para a característica prin-
cipal do universo criativo em que ele se move, descartando a tenta-
ção de buscar datas e fases estanques, mecanicamente evolutivas.
Alerta para “o perfil de sua trajetória circular, que retorna a si própria,
constantemente. E que encerra, nesses regressos, a chave de sua
poética particular”. Amaral observa que a “lição de vigilância e exce-
lência” de Evandro se dá, isto sim, por blocos de assuntos e investi-
gação obsessiva sobre a fluidez da memória.
Na entrevista, Evandro expande experiências, contextualiza in-
tenções e elenca processos de trabalho tanto no desenho quanto
na gravura e na pintura (aquarela e têmpera). Como na memória, há
acumulação e sedimentação antes da invenção e síntese. As per-
guntas roteirizam e decupam etapas, provocando generosas respos-
tas que esclarecem não só o estudante de artes e o teórico do setor,
como o público em geral.
A gravura em metal, central na produção do artista, é o foco
principal da entrevista e onde reside um dos maiores méritos des-
ta publicação. O testemunho em primeira pessoa arranca o ranço
dos manuais e joga o exercício dessa técnica exigente para uma
prática inventiva, que sabe subverter a tradição e alcançar dicção
contemporânea. Embora frise a importância do domínio técnico
como incontornável para atingir a autoria poética, Evandro está
atento às lições do acaso.
Folheados e comentados, acasos inscritos em diversos cader-
nos de anotações, que o artista faz no cotidiano do ateliê ou nas
caminhadas pela cidade, geram outro momento delicioso da en-
trevista. É quando são confrontados esboço e obra final. Mas a ri-
gor não existe obra final no trabalho de Evandro, que justapõe de-
senhos, retrabalha diversas vezes a mesma matriz e obtém, assim,
muitas versões de uma única imagem. Que sempre pode ganhar
mais elementos e se articular com outras matrizes para nova obra,
sempre no trânsito entre espaço urbano e ateliê.
Símbolos máximos dessa cartografia pessoal, há gravuras
como o Pico do Jaraguá (ponto mais alto do raro horizonte natural
de São Paulo) mas também com o antigo vidro de tinta de caneta-
-tinteiro pousado na mesa. Enlaçados, por vezes, com textos de
autoria do próprio artista em fluente caligrafia. Porque, como ob-
serva Evandro, “quando o ser humano olha alguma coisa, ele não
olha somente através da fisiologia do olho, ele olha também com
a potência da alma”.
Angélica de Moraes
crítica de arte e curadora
| Acabamento | Brochura |
|---|---|
| Páginas | 160 |
| Data de publicação | 04/12/2019 |
| Formato | 21.5 x 15 x 1.5 |
| Lombada | 1.5 |
| Altura | 1.5 |
| Largura | 15 |
| Comprimento | 21.5 |
| Tipo | pbook |
| Número da edição | 1 |
| Classificações BISAC | ART016020; ART024000; ART050020 |
| Classificações THEMA | AGB; AFH; AGN; WFA |
| Idioma | por |
| Peso | 0.347 |
Loading...


