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Evandro Carlos Jardim

Evandro Carlos Jardim

Avaliação:
R$ 70,00 á vista

Em até 4 de 17.50 s/juros

Quantidade:
Código: 9788594931955
Categoria: Entretenimento
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Este livro realiza algo de inestimável importância para a per- cepção e fruição da obra de um dos protagonistas da história da gravura no Brasil. Seus autores alcançam aquele olhar por cima do ombro do artista empenhado na criação do trabalho. Evandro Carlos Jardim é flagrado quase no momento mesmo em que as ideias assomam e o levam da intenção ao gesto que vai fixar as imagens e a poética que caracterizam sua obra, tão extensa quan- to plena de reflexões sobre tempo e memória. Momento íntimo, a que o grande público não costuma ter acesso, e do qual só co- nhece os resultados nas exposições. Para revelar esses bastidores, foi adotado o formato da extensa e minuciosa entrevista no ateliê. Como nunca é demais frisar, a pa- lavra do artista é testemunho precioso. É fonte primária que vai se- mear caminhos mais sólidos para abordagens teóricas posteriores, dispensando os adjetivos e suposições de gabinete, infelizmente tão recorrentes ainda na historiografia da arte brasileira. Provocado por perguntas precisas, feitas por Fabiana de Barros e Michel Favre, Evandro vai detalhando de modo fascinante e aces- sível (afinal, é também um excelente professor) a genética de suas imagens. Ele narra as ações que constroem seu processo de traba- lho, escolhas de materiais e instrumentos, técnicas e invenções. A ambiência do ateliê, com multidão de objetos de trabalho em per- feito ordenamento na bancada, na prancheta e nas paredes, é es- quadrinhada com sensibilidade nas fotos realizadas por João Musa e Favre. Essa documentação visual contribui, também, para pene- trarmos na natureza do que é feito ali e da qual se ocupa, com sua agudeza habitual, o texto crítico de Aracy Amaral. A historiadora de arte, com a autoridade de ter acompanhado os quarenta anos de trajetória de Evandro, chama a atenção para a característica prin- cipal do universo criativo em que ele se move, descartando a tenta- ção de buscar datas e fases estanques, mecanicamente evolutivas. Alerta para “o perfil de sua trajetória circular, que retorna a si própria, constantemente. E que encerra, nesses regressos, a chave de sua poética particular”. Amaral observa que a “lição de vigilância e exce- lência” de Evandro se dá, isto sim, por blocos de assuntos e investi- gação obsessiva sobre a fluidez da memória. Na entrevista, Evandro expande experiências, contextualiza in- tenções e elenca processos de trabalho tanto no desenho quanto na gravura e na pintura (aquarela e têmpera). Como na memória, há acumulação e sedimentação antes da invenção e síntese. As per- guntas roteirizam e decupam etapas, provocando generosas respos- tas que esclarecem não só o estudante de artes e o teórico do setor, como o público em geral. A gravura em metal, central na produção do artista, é o foco principal da entrevista e onde reside um dos maiores méritos des- ta publicação. O testemunho em primeira pessoa arranca o ranço dos manuais e joga o exercício dessa técnica exigente para uma prática inventiva, que sabe subverter a tradição e alcançar dicção contemporânea. Embora frise a importância do domínio técnico como incontornável para atingir a autoria poética, Evandro está atento às lições do acaso. Folheados e comentados, acasos inscritos em diversos cader- nos de anotações, que o artista faz no cotidiano do ateliê ou nas caminhadas pela cidade, geram outro momento delicioso da en- trevista. É quando são confrontados esboço e obra final. Mas a ri- gor não existe obra final no trabalho de Evandro, que justapõe de- senhos, retrabalha diversas vezes a mesma matriz e obtém, assim, muitas versões de uma única imagem. Que sempre pode ganhar mais elementos e se articular com outras matrizes para nova obra, sempre no trânsito entre espaço urbano e ateliê. Símbolos máximos dessa cartografia pessoal, há gravuras como o Pico do Jaraguá (ponto mais alto do raro horizonte natural de São Paulo) mas também com o antigo vidro de tinta de caneta- -tinteiro pousado na mesa. Enlaçados, por vezes, com textos de autoria do próprio artista em fluente caligrafia. Porque, como ob- serva Evandro, “quando o ser humano olha alguma coisa, ele não olha somente através da fisiologia do olho, ele olha também com a potência da alma”. Angélica de Moraes crítica de arte e curadora
AcabamentoBrochura
Páginas160
Data de publicação04/12/2019
Formato21.5 x 15 x 1.5
Lombada1.5
Altura1.5
Largura15
Comprimento21.5
Tipopbook
Número da edição1
Classificações BISACART016020; ART024000; ART050020
Classificações THEMAAGB; AFH; AGN; WFA
Idiomapor
Peso0.347
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